Artigos

As empresas no mundo pós-pandemia

As empresas no mundo pós-pandemia

Como as organizações e os profissionais vão se adequar ao mercado após o impacto da pandemia de Covid-19? Home office, gestão à distância e reuniões remotas são tendências que parecem ter vindo para ficar e as empresas precisam se adaptar.

O Due Coworking conversou sobre o tema com a psicóloga Livia Cordeiro Bacchi, consultora de RH, gerente de gestão de pessoas e comunicação da NS Group e diretora da ABRH – Regional Centro-Oeste Paulista.

Ela comenta as mudanças e aponta caminhos que as organizações e profissionais devem seguir. Confira.   

Com o aparente fim da pandemia próximo, as empresas parecem estar começando a repensar os formatos de trabalho. Você tem verificado isso na prática?

Livia – Sim, a pandemia acabou rompendo com resistências sobre a modalidade de trabalho home office e nos mostrou através de entregas concretas dos times de trabalho, que é possível trabalhar com uma equipe produtiva, à distância.

Como acredita que essa nova organização vai ocorrer?

Livia – Recentemente fizemos um benchmarking com 23 empresas no estado de São Paulo, em sua maioria da região de Bauru com o objetivo de identificar como elas estão se planejando referente a possíveis modalidades de trabalho para 2021. 

Apenas 9% dos respondentes apontaram que permanecerão no formato 100% presencial, adotando todas as normas de segurança decretadas pelo governo devido a pandemia, enquanto 52% pensam em adotar o modelo híbrido de trabalho, independentemente do fim da pandemia e 39% dos respondentes apontaram que ainda não existe um consenso sobre como será o formato em 2021.  Aspectos culturais acabam pesando na tomada de decisão.

Esta breve pesquisa já nos mostra que o home office tornou-se vantajoso para a empresa, levando em consideração que a capacidade produtiva da força de trabalho trouxe como consequência a redução de custos com deslocamentos e estrutura local e a maioria das empresas já planejam adotar a flexibilização do formato presencial definitivamente.

Para as lideranças, pensar em um modelo no qual o subordinado não está próximo ou ao alcance dos olhos é um desafio. Como lidar com isso?

Livia – Estamos passando por um momento desafiador na história, que envolve todas as esferas da sociedade e em diversos aspectos, não só o econômico.

Quando falamos de pessoas, precisamos levar em consideração que a capacidade de adaptação ao novo formato de trabalho irá variar de acordo com o contexto de cada indivíduo e o líder deverá ter a habilidade de administrar seu time com equilíbrio, focando nas necessidades das pessoais para atingir aos resultados desejados pela companhia em que atua.

Este equilíbrio, onde de um lado o líder precisará levar o time a executar o que a empresa e do outro, escutar os anseios e necessidades da equipe, exigirá tato, ânimo e sensibilidade. A meu ver, a habilidade mais requerida para o momento é a empatia.

Em um artigo da Revista Exame, foi apontado que a Harris ouviu mais de 6 mil pessoas ao redor do mundo e os brasileiros foram os que responderam ter a maior sensação de Burnout devido a pandemia e home office: 44% dos respondentes disseram que a pandemia aumentou o sentimento de exaustão.

Ou seja, a liderança não poderá tratar todos da equipe da mesma forma, mas precisará se aproximar mesmo que remotamente para entender quais os principais desafios que os profissionais do time estão enfrentando e ciente deste cenário trabalhar em busca dos resultados.

Costumo frequentemente me lembrar de uma frase do Téo Hayashi: “Melhor um líder imperfeito presente, do que um líder cheio de qualificações, mas inacessível”.

As reuniões remotas se tornaram prática comum durante a pandemia. Você vê algum problema no formato, como sente que as pessoas se adaptaram?

Livia – Não vejo problema algum, pelo contrário, nos possibilitou inclusive a fazer contatos inclusive com clientes que em outras situações exigiriam um tempo e custo que hoje sabemos ser desnecessários.

Participei de uma reunião com pessoas de 6 estados diferentes que em outro momento precisaria me programar pelo menos com 2 meses de antecedência para que ela ocorresse e a adaptação foi necessária.

A restrição ao contato presencial nos tornou também mais focados, atentos e produtivos.

Acha que o modelo vai permanecer?

Livia – Acredito que a maior tendência seja o modelo híbrido.

Um futuro 100% remoto é possível, mas também percebemos que pode trazer como consequencia o menor senso de pertencimento a organização, enfraquecimento dos laços de trabalho do ponto de vista intersetorial, assim como afetar o clima organizacional como um todo.

Tudo dependerá da cultura organizacional que cada organização carrega. Se o modelo flexível já era bem visto pela diretoria e até adotado antes da pandemia, a empresa terá mais facilidade para se adaptar, mas se ele foi imposto devido ao cenário atual e a empresa teve muitas perdas culturais neste processo, a tendência é o retorno ao formato anterior.

Em termos de produtividade, o remoto é um problema? Como é possível não deixar a produtividade ser afetada trabalhando em casa ou em um coworking?

Livia – Acredito que não, pois o remoto nos possibilitou perceber que os times de trabalho continuam entregando, independente da estrutura física da empresa. 

É muito importante em termos de produtividade levarmos em consideração as distrações da casa, e adaptar o ambiente para o trabalho: Procurar um espaço adequado, pois o nosso cérebro precisa entender que não estamos flexibilizando o nosso trabalho, mas sim a modalidade dele.

Para isso é preciso ter autogerenciamento, pois muitas vezes o líder não estará disponível presencialmente para cobranças que anteriormente eram feitas de modo diretivo, no bate papo do dia a dia e agora caberá ao profissional se organizar e entregar nos prazos acordados.

Pensando em quem reside com mais pessoas, é importante acordar com os demais membros da casa que aquele é um horário de trabalho e ali é o local específico onde o profissional estará concentrado durando a sua jornada.

Adquirir estes hábitos depende de disciplina e precisamos ser intencionais nisso: respeitar os horários e evitar as distrações externas, adaptando o ambiente para isso.

* * *

Livia Cordeiro Bacchi

LinkedIn: www.linkedin.com/in/liviacordeirobacchi/

Instagram: @liviacordeirobacchi

e-mail: [email protected]

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *